O Canto da Carcará
• Dark Fantasy • Sertãopunk • Romantasia
Sinopse
No planeta devastado pela Grande Sede, Luna sobrevive como assassina e mercenária, aceitando trabalhos em troca de dinheiro ou de qualquer pista que a ajude a encontrar os ingredientes da medicação da irmã.
Tudo muda quando Elyan, um guerreiro que diz ter recebido uma revelação divina, aparece à sua procura. Depois de salvá-lo, Luna conhece Sky, uma criança que procura pelo irmão desaparecido. Ao se identificar com a situação da menina, promete ajudá-la.
A busca leva Luna até uma lenda que profetiza uma criança capaz de curar todas as doenças. Ao descobrir isso, Luna passa a ter um motivo próprio para encontrá-la. O problema é que outros também estão atrás da criança, incluindo vampiros, criaturas meio humanas e meio vampiras assim como membros da aristocracia imperial.
Entre alianças, perseguições e conflitos, Luna e Elyan precisam chegar à criança antes dos outros. E, quanto mais tempo passam juntos, mais difícil fica para Luna tratar aquela parceria como apenas mais um trabalho.
FAQ
As perguntas mais frequentes sobre a obra
Luna talvez tenha sido a primeira personagem que criei, e eu sempre quis escrever a história de uma assassina extremamente letal, mas também maternal, que é implacável quando está trabalhando e gentil quando está com as pessoas que ama. Passei muito tempo pensando em como desenvolver essa personagem e, desde o começo, sempre quis que ela tivesse uma história profundamente nordestina.
Também existe uma questão que me incomodava como leitor, pois a romantasia cresceu muito nos últimos anos e existem histórias maravilhosas dentro do gênero, mas ainda sinto que há poucas obras desse tipo que olham para o Nordeste como cenário, identidade e fonte de fantasia. Muitas vezes, quando pensamos em fantasia e romantasia, acabamos recorrendo aos mesmos imaginários, reinos europeus, castelos, florestas, mitologias já muito exploradas e uma estética medieval que, embora seja maravilhosa, não é a única forma de construir fantasia.
Eu queria fazer o contrário, pegando o Nordeste, suas paisagens, sua cultura, seu imaginário, suas histórias e sua linguagem para transformar tudo isso em matéria-prima para uma história de fantasia e romance. Não queria simplesmente colocar uma personagem nordestina em uma fantasia tradicional, queria que o Nordeste fizesse parte da própria identidade daquele universo.
Até então, eu não tinha exatamente uma história pronta, pois Luna existia como personagem e como conceito, e eu sabia quem ela era, sabia o tipo de mulher que queria escrever e sabia que queria colocá-la em uma história nordestina, mas ainda precisava descobrir qual seria essa história.
Foi depois que finalizei o primeiro livro do universo que estou criando, focado na deusa Zara, chamada de A Deusa do Tempo, que a ideia de O Canto da Carcará realmente nasceu. Esse livro, que apresenta a deusa que reina sobre o universo que estou construindo e será lançado em breve, é mais voltado para uma fantasia urbana com elementos de investigação, e depois de terminar esse projeto, senti vontade de experimentar algo completamente diferente e explorar outro lado desse mesmo universo.
Luna nasceu justamente dessa necessidade de evoluir minha escrita e não me limitar, porque eu queria pegar tudo aquilo que tinha vontade de escrever e colocar dentro de uma única história. Queria experimentar estrutura, personagens, romance, ação, fantasia e uma narrativa mais episódica, então pensei que seria divertido escrever uma webnovel, seguindo um pouco a lógica das obras japonesas publicadas em capítulos e acompanhadas pelos leitores semanalmente.
E foi assim que O Canto da Carcará começou a tomar forma, pois primeiro veio Luna, depois veio o desejo de contar uma história de fantasia com uma identidade nordestina forte e, a partir disso, fui construindo todo o resto.
Bem, sinceramente, porque é uma história que eu não desenvolvi a partir de um esqueleto completamente planejado, ela nasceu de uma premissa, de uma ideia de final e de personagens que eu amo. Não tenho todos os capítulos planejados antecipadamente e, justamente por isso, acho que é uma história que funciona muito bem como uma série semanal.
A história terá, sim, um rigor e seguirá uma lógica, pois eu sei onde quero chegar e tenho uma direção para os personagens, mas não necessariamente tenho tudo preparado. O Canto da Carcará também é uma história que estou usando para desenvolver a minha escrita, experimentar coisas novas e descobrir até onde consigo levar minha narrativa.
Além disso, eu sabia que algumas pessoas simplesmente leem online e não compram os meus livros, e tudo bem, pois espero que aqueles que realmente gostarem da forma como escrevo Luna tenham vontade de conhecer minhas outras obras e eventualmente comprem os volumes. Mas, sendo sincero, não me importo se alguém apenas ler a história gratuitamente e nunca comprar um exemplar, afinal ela está disponível de graça.
A ideia é permitir que as pessoas me conheçam, descubram como eu escrevo e, se gostarem, continuem me acompanhando.
Eu tenho um estilo muito específico de escrita e me considero mais um contador de histórias do que um escritor, não quero necessariamente desvendar a alma humana ou filosofar sobre a existência. Quero contar uma história e me divertir com ela, me emocionar, chorar, sentir raiva, revolta ou alegria junto com os personagens, e quero que o leitor tenha essas experiências comigo.
Não me considero um escritor no sentido tradicional da palavra porque sei que minhas obras provavelmente nunca serão aquelas que as pessoas estudarão academicamente, e eu não estou tentando escrever de uma maneira excessivamente rebuscada ou fazer com que as pessoas precisem procurar um dicionário a cada página. Quero apenas contar uma boa história, contar as histórias desses personagens da melhor maneira que eu conseguir.
Por isso gosto tanto da ideia de uma amostra grátis, pois para um contador de histórias, uma amostra precisa ser uma história de verdade, não pode ser apenas um pedaço pequeno e inconclusivo que sirva como propaganda. Precisa ser boa o suficiente para que a pessoa consiga ter uma noção real de como eu escrevo e, principalmente, de como conto uma história.
Se alguém ler O Canto da Carcará gratuitamente, gostar da minha maneira de contar histórias e decidir acompanhar meus próximos livros, então já considero isso um resultado positivo, e para mim, esse é o verdadeiro objetivo.
Se A Deusa do Tempo, ou qualquer outro livro meu, não vender nenhuma cópia imediatamente, mas milhares de pessoas tiverem lido O Canto da Carcará e, no futuro, estiverem dispostas a comprar e ler meus livros porque já sabem que gostam da minha escrita, então O Canto da Carcará terá cumprido seu papel.
É uma forma de construir uma relação com o leitor antes mesmo de pedir que ele coloque dinheiro no meu trabalho, e quero que a pessoa possa experimentar minha escrita primeiro e decidir por conta própria se ela gosta ou não.
No fim, acho que todos saem ganhando, se alguém não gostar, pelo menos não gastou dinheiro com algo de que não gostou, e se gostar, talvez queira conhecer os outros livros. Para mim, isso é muito mais interessante do que tentar convencer alguém a comprar um livro sem saber se aquela pessoa vai gostar daquilo que eu faço.
Acho que, justamente por eu ser homem, existe algo de muito interessante em escrever protagonistas femininas, porque quando escrevo um personagem masculino existe sempre um nível de familiaridade e eu consigo projetar muitas das minhas próprias experiências, comportamentos e inseguranças naquele personagem. Com uma protagonista feminina isso não acontece da mesma maneira, já que eu preciso me esforçar mais para entender aquela personagem, observar suas contradições e pensar em como ela enxerga o mundo.
E isso, para mim, é muito divertido.
Eu não escrevo mulheres porque acredito que exista uma fórmula para escrever uma personagem feminina ou porque acho que consigo representar a experiência de todas as mulheres, muito pelo contrário, uma mulher não é um arquétipo e Luna não precisa representar "as mulheres". Ela precisa representar Luna.
Quando criei a personagem, por exemplo, eu não pensei simplesmente em "uma protagonista mulher", mas pensei em uma assassina extremamente letal, alguém capaz de ser brutal quando está trabalhando, mas que também é extremamente carinhosa e maternal com as pessoas que ama. A graça estava justamente nessa contradição, porque ela pode ser uma das pessoas mais perigosas da história e, ao mesmo tempo, ser aquela pessoa que se preocupa em cuidar de alguém que ela encontrou no meio da estrada machucado.
Gosto muito de personagens que possuem essas contradições porque, no fim, é isso que faz alguém parecer uma pessoa de verdade.
Ao mesmo tempo, não acho que precise transformar isso em uma grande questão sobre gênero toda vez que escrevo uma mulher, pois às vezes uma personagem feminina é simplesmente uma personagem que eu achei interessante.
No caso de Luna, foi exatamente isso, eu me apaixonei por esse conceito de quem ela é. Conforme fui desenvolvendo a personagem, percebi que ela só funcionava sendo quem é, e não seria interessante transformá-la em um homem apenas porque eu sou homem.
Um dos privilégios de escrever ficção é justamente poder tentar enxergar o mundo através de pessoas diferentes de nós, posso escrever alguém muito diferente de mim, seja por gênero, personalidade, idade, origem ou experiência de vida. Não significa que eu tenha vivido aquilo, significa que estou tentando construir uma pessoa que faça sentido dentro daquela história.